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sob as luzes que tentam apagar a lua

aqui da sacada do apartamento por hora meu vejo a lua e ouço os sons indevidos da rua. um cachorro late ao fundo um grilo ou os cabos de tensão dos postes aqui na frente chiam parecido. vejo a sombra do meu gato que vê em mim tristeza ou encontro com quem sou. agora uma luz menor que a lua brilha abaixo dela chamo de estrela sabendo que possivelmente erro por ser um planeta cujo nome humano desconheço. faço coisas que não esperava e não queria escondo por vergonha e continuo por teimosia vício quem sabe. é difícil demais explicar pro bicho que triste não espero morrer, mas a conversa com Ela vem vez e outra. acabei de lavar o rosto com água apenas e banho eu tomo logo, mas minhas sobrancelhas ainda estão molhadas. estou com quem desejo e sei do colo que quero agora a um oceano distante. anseio o choro que sempre veio e momentaneamente se ausenta porque me ocupo de mim.
isali 05/07/2020
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na bosta

depois de arreiado, decidiu: precisava mijar e, chegando até o banheiro,percebeu que a boca do vaso,que recebe sem fome nenhuma aquilo que é expelido tendo sido antes cada cor saboreada,centímetro por centímetro, até o metro da língua pra depois de passar num acúmulo envolvente de vermelho escuro e quente,virar marron,estava maior e mais larga.
depois de mentalizar o nada,que sempre se parecia com um quadro branco de escrever com pincel ese concentrar no contínuo barulho da águacaindo da torneira pouco aberta,enfim relaxou o esfíncter e conseguiu liberar um jato forte de mijo quenão durou mais que dois segundos e deu lugar àquela urina apertada equase cremosa de tão difícil de sair.
depois de observar bem como a água escorria pelas beiradas do vaso de modo tão involuntariamente mecânico,desequilibrou-se ecaiudesceufoss'adentro, quando se lembrou, enfim, que,se tivesse como qualquer outro, poderia inclusive ser adubo para virar nova comidaporque a gente até come mas não vive nela.



(xi…

Lílian Anis, do 209 - 28 anos

Mais bonita que ela, só a capa do livro que ela lia.
Todo dia no mesmo banco, fugindo do sol e, justo hoje, me passou os olhos, quando eu nem por mim respondia.Como sempre busquei por respostas, não tê-las me incomoda. Irrita como o cartão verde-limão que não sei de qual banco é. Ou se é de crédito. Nem mesmo se verde é a cor, porque o nível baixo não avançado de daltonismo me confunde pra amarelo e me impacienta, que me impede de ser quando se trata se cores. Mas apascenta pensar em todas essas possíveis realizações quando percebo que desfoco o olhar no objeto. Dessa forma, mesmo sem conhecê-la, eu me sentia ignorada. Vejam: ignorada e não inotada, do verbo “não-notar”. Tantos sinais eu dava e ela simplesmente fazia que não via meus olhos nela.
Afinal, a gente sabe que o olho do Outro, em nós, pesa o peso nos ombros.
Não sabia o seu nome, sua idade... Provavelmente trabalhava... nessa vida sempre vamos atrás de mais dinheiro pra gastar com o que não precisamos, aonde trabalhava ou mesmo…

Carta para a única coisa que todos nós faremos

Morrer
Um verbo imperativo em qualquer tempo
Morrer

Ontem a confusão da vida
Todos os dias com a mão no pote de vidro
Revelando sentimentos sortidos

Hoje o susto
Amanhã saudade
É por isso que quando alguém morre
Se esquecem as ruindades
Ninguém quer aceitar que a vida tenha sido tão difícil, inconstante

Reservamos à memória as vezes em que os dedos bateram na felicidade
E levamos dali adiante até o dia do verbo imperializar também em nós

Ontem ele
Hoje eu
Amanhã você
Fiquemos com ela então
Como a caixa tarja preta
Sem falhar um dia se quer
A saudade nos acompanhe
Até o dia em que o nosso dia vier