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metáforas para dizer Desejo

01 de março / 12 de julho / 04 de setembro / 09 se setembro de 2020 qual amor sobrevive a cinquenta por cento do pulmão comprometido?  Meço a infância pelas palavras aprendidas. O  meu primo, três meses mais velho que eu,  aprendeu  a fazer o número oito.  O meu ainda seguia meio torto, disforme.  Mais tarde soube que a forma como escrevíamos  diferia, por isso o seu traço era redondo. Bolinha em cima bolinha em baixo "oito perfeito". Já "iniciar da beira para cruzar as linhas (em infinito) sempre foi mais elaborado". Diria quem pegava minha mão  e traçava, linha a linha, o formato que teria a minha escrita. Ainda que religiosa, cristianíssima, segue sempre de superstições, mas mais porque são também senso comum. Apesar de eu até hoje não me  incomodar em desejar a morte de uns  e outros pois sabia : " desejos não são garantidos, minha filha". Num intervalo entre uma e outra atividade da escolinha, minha avó saía pra mexer as panelas e eu ia, contando bura
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sob as luzes que tentam apagar a lua

aqui da sacada do apartamento por hora meu vejo a lua e ouço os sons indevidos da rua. um cachorro late ao fundo um grilo ou os cabos de tensão dos postes aqui na frente chiam parecido. vejo a sombra do meu gato que vê em mim tristeza ou encontro com quem sou. agora uma luz menor que a lua brilha abaixo dela chamo de estrela sabendo que possivelmente erro por ser um planeta cujo nome humano desconheço. faço coisas que não esperava e não queria escondo por vergonha e continuo por teimosia vício quem sabe. é difícil demais explicar pro bicho que triste não espero morrer, mas a conversa com Ela vem vez e outra. acabei de lavar o rosto com água apenas e banho eu tomo logo, mas minhas sobrancelhas ainda estão molhadas. estou com quem desejo e sei do colo que quero agora a um oceano distante. anseio o choro que sempre veio e momentaneamente se ausenta porque me ocupo de mim. isali 05/07/2020

na bosta

depois de arreiado, decidiu : precisava mijar e, chegando até o banheiro, percebeu que a boca do vaso, que recebe sem fome nenhuma aquilo que é expelido tendo sido antes cada cor saboreada, centímetro por centímetro, até o metro da língua pra depois de passar num acúmulo envolvente de vermelho escuro e quente, virar marron, estava maior e mais larga. depois de mentalizar o nada, que sempre se parecia com um quadro branco de escrever com pincel e se concentrar no contínuo barulho da água caindo da torneira pouco aberta, enfim relaxou o esfíncter e conseguiu liberar um jato forte de mijo que não durou mais que dois segundos e deu lugar àquela urina apertada e quase cremosa de tão difícil de sair. depois de observar bem como a água escorria pelas beiradas do vaso de modo tão involuntariamente mecânico, desequilibrou-se e caiu desceu foss'adentro, quando se lembrou, enfim, que, se tivesse como qualquer outro, poderia inclusive ser adubo para virar nova comida porque a gente até come ma

Lílian Anis, do 209 - 28 anos

Mais bonita que ela, só a capa do livro que  ela  lia. Todo dia no mesmo banco, fugindo do sol e, justo hoje, me passou os olhos, quando eu nem por mim respondia.   Como sempre busquei por respostas, não tê-las me incomoda. Irrita como o cartão verde-limão que não sei de qual banco é. Ou se é de crédito . N em mesmo se  verde  é a cor, porque o nível baixo não avançado de daltonismo me confunde  pra amarelo  e me impacienta, que me impede de ser quando se trata se cores.  Mas apascenta pensar em todas essas possíveis realizações quando percebo que desfoco o olhar no objeto. Dessa forma, m esmo sem conhecê-la, eu me sentia ignorada.  Vejam: ignorada e não inotada, do verbo  “não-notar”.  Tantos sinais eu dava e ela simplesmente  fazia que  não via  meus olhos nela. Afinal, a gente sabe que o olho do Outro, em nós, pesa o peso nos ombros . Não sabia o seu nome, sua idade ... P rovavelmente  trabalhava... n essa vida sempre vamos atrás de mais dinheiro pra gastar com o que não precisamos,

Carta para a única coisa que todos nós faremos

Morrer Um verbo imperativo em qualquer tempo Morrer Ontem a confusão da vida Todos os dias com a mão no pote de vidro Revelando sentimentos sortidos Hoje o susto Amanhã saudade É por isso que quando alguém morre Se esquecem as ruindades Ninguém quer aceitar que a vida tenha sido tão difícil, inconstante Reservamos à memória as vezes em que os dedos bateram na felicidade E levamos dali adiante até o dia do verbo imperializar também em nós Ontem ele Hoje eu Amanhã você Fiquemos com ela então Como a caixa tarja preta Sem falhar um dia se quer A saudade nos acompanhe Até o dia em que o nosso dia vier