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Mostrando postagens de Junho, 2014

Imagem

 Foi como se o meu eu espelhado fosse outro.  De algum modo era, porque aquela não era eu.  É clichê dizer que a imagem se mexia sem que eu fizesse qualquer movimento.  É também clichê dizer que quando eu fui, ela ficou.  Ficou e se apossou da vida que deveria ser minha.  Como gêmea, mesma cara. Mesmo corpo. Mesmo andar.  Mas ao contrário de gêmeos - que têm vidas independentes - ela dependia da minha imagem.  Minha imagem, com outra vida.  Cansou-se de mim.  De estar limitada a mim.  Preferiu tingir os cabelos de vermelho.  Me atingia, e eu não me refletia.  Unhas sempre bem feitas e pretas.  Não se importava com mais nada, e eu já não aparecia para mim.  Foi como ser vampira.  Como se eu tivesse atrapalhado minha própria vida.  Vida dela, na realidade.  Eu a suguei. A extorqui a possibilidade de ela ser vida, não apenas imagem.  Minha vida estava virada.  Virou, porque reconheciam a ela, e eu era a estranha.  Foi difícil entender, mas ela se livrou da atadur