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Mostrando postagens de Maio, 2019

SIGILO

não conte a alguém qualquer estória de amor que seja a sua mesma Posto que se vive e nem mesmo o Amor há de se interessar por ela se fricção muito mais canta versos em coração surdo a inexistência dessa só permite ficcionalizar e ele nele mesmo incluído é contido não apenas forjado em alguém que não é uma tarde de verão Há que se odiar porque o vivido é conteúdo de problemas e só história marcada pelo tempo merece ser dividida Então há frutos desses que não brotam de poesia a olvir e contar do presente
(i.) 30 de maio de 2017

15 de Maio de 2017

as unhas a me perfurar
feito flecha me colocavam em abate
como qualquer bicho pronto a
ser predado por dentes
lascivos a saborear cada pedaço
da minha carne vermelha camuflada
de branco cal transparecendo
na respiração ofegante o que não
gostaria de esconder
nem mesmo de você
Eu a me conhecer me enxergava
puro instinto mas abafada
pela racionalidade.
(i.)

batismo

batismodesarmou-se como que esgotada a fé
perdera por completo aquele estigma invisível e familiar,
o brio que fazia-o não mais um
mas mais O
os colegas lhe atribuíam adjetivos grandiosos
pra não dizer grandiloquentes e
confundi-lo
afinal, confundia-se com tudo
era tanto mais ouvinte que orador
tanto mais hospedaria que hóspede
tanto mais sozinho que solitário
era em verdade uma casa abrigando uma coleção
dessas coleções que fazemos em criança
e que um dia, no acaso de uma gaveta,
nos pega de empreita às lembranças
uma casa abrigando uma coleção de palavras inauditas
sustenidas
palavras miudinhas
não era nada além dessa casa esquecida
casa sem chão sem teto sem paredes sem medidas
mas ainda uma casa, não é certo?
do alpendre pode-se ver a lua iluminando tudo
aliás, nada
não se vê nada além da lua iluminando a falácia tudo
doía naquele homem prostrado ante a janela-mundo,
seu olhar triste e embaçado por lágrimas teimosas,
observar o astro e descobrir-se ora ínfimo demais
ora um sem…