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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Amor Confesso

Começou no dia em que encontrei um barquinho de papel com escritas chatas e desconexas. Ainda assim sabia que ele me retribuiria por tirá-lo daquela escada de faculdade.  Coloquei-o na mochila. Jogaria no lixo, mas ao começar escrever, dei significado real aquilo que não valia nem para quem o criou. Não faço ideia de quem foi. Pela caligrafia, um homem.  Em seguida comecei um texto para a faculdade. Não sabia que caminho levar ao que eu escrevia, mas decidi incluir meu “barco-personagem” no meu conto. Foi nessa parte que percebi: inconsciente, coloquei o nome do meu personagem de Bento. Personagem principal do último livro que li. Sabendo da tragédia que o nome carregava, não mudei seu final de quem fora traído. Só preferi não fazê-lo cheio de amargura como Machado fê-lo há décadas.  Nunca confessei amor por ele, no entanto vendo a forma com a qual aderi ao nome dado por ele, dado ao grande ícone personagem da literatura brasileira, assumo: “Machado! Te achava um chato! Mas agora enten…

Dom Barquinho

Era um barquinho de papel. Bento sentiu grande curiosidade e se abaixou para pegá-lo. Observou com atenção toda a informação contida nele. Palavras que formavam frases de amor.  Bento tinha 19 anos, nunca tivera um grande amor. Se encantava por algumas garotas, mas nunca se apaixonou. No entanto, com a menina do barquinho, foi diferente. Sua letra longilínea era linda, limpa e suave. E ele até podia sentir o cheiro que suas mãos tinham... flores! Ah! mãos que escreveram e fizeram o barquinho.  Se apaixonou pelo desconhecido. Pelo incerto. Era um sentimento incrível! Como nunca o sentira antes? E ao longo de um mês, este interminável, procurou por ela sem cessar. Não encontrou. Não fazia ideia da cor de seus cabelos, de seus olhos, menos ainda de sua pele e não sabia nem qual seria a sua altura.  Tomou para a sua vida o barquinho. Tinha sonhos com alguém que não conhecia, dando-lhe aquela dobradura de papel. Sonhava com o enlace dos braços de ninguém. Ora negros, ora brancos, ora amarelos…