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Planos, encantos

 Casa no campo, apartamento com vista pro mar. Que profissão seguir, esperar um pouco mais pra se decidir. Morrer de alegria, se matar de tristeza por causa de um grande amor.
 Encantos que muitas vezes passam, surpresas que algumas vezes ficam, lembranças que marcam por uma vida toda. Fazendo plenos e belos planos ao longo da vida, planos que se realizaram, ou que se frustraram com o girar dos ponteiros. Mas de fato é impossível viver sem planos, sem almejar um lugar para chegar.
 Coisas que vão se formando de fragmentos de outros pensamentos, de outras falas e mancadas, aprendendo com os erros dos outros, e assim crescendo e amadurecendo.
 Casar e ter filhos. Construir família, porque morrer sem uma é muito triste... Viver e sofrer, se entregar e ver no que vai dar.

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metáforas para dizer Tempo

demorou o suficiente para eu notar que a luz da botoeira do elevador se apagava à medida em que ele chegava ao meu andar, e meu lixo se decompunha, apodrecia e mal-cheirava, como a velha que, no dia anterior, contava como Casca de ovo é bom pra tudo, coloco até na comida do meu neto no ponto de ônibus. No apartamento vizinho, ouvia O tempo voa decerto de alguém que também muito viveu. Naqueles vinte minutos em que esperava, estava evidente que o tempo voava na velocidade de uma bicicleta sem rodas, guinchada por um motorista cego. Enquanto ouvia o som do maquinário velho recém-reformado do elevador do prédio antigo, agora me novo, dei-me conta de que as contas que não fiz ainda seriam, como já eram antes de chegar, o desfecho da minha vida a ensinar, como a velha, O tempo não voa porque nem pernas têm! Para saber que até chegar ao aterro sanitário, meu lixo já poderia ter criado novos organismos para ser capaz de bem alimentar como de matar, quem pairava por lá tanto qua

sob as luzes que tentam apagar a lua

aqui da sacada do apartamento por hora meu vejo a lua e ouço os sons indevidos da rua. um cachorro late ao fundo um grilo ou os cabos de tensão dos postes aqui na frente chiam parecido. vejo a sombra do meu gato que vê em mim tristeza ou encontro com quem sou. agora uma luz menor que a lua brilha abaixo dela chamo de estrela sabendo que possivelmente erro por ser um planeta cujo nome humano desconheço. faço coisas que não esperava e não queria escondo por vergonha e continuo por teimosia vício quem sabe. é difícil demais explicar pro bicho que triste não espero morrer, mas a conversa com Ela vem vez e outra. acabei de lavar o rosto com água apenas e banho eu tomo logo, mas minhas sobrancelhas ainda estão molhadas. estou com quem desejo e sei do colo que quero agora a um oceano distante. anseio o choro que sempre veio e momentaneamente se ausenta porque me ocupo de mim. isali 05/07/2020