Pular para o conteúdo principal

Presos pelo medo, enganados pelo mundo


É sempre nos enganando que levamos a vida. Enganamos a nós mesmo. Quando achamos, e fazemos de tudo pra acreditarmos que somos felizes e que a vida, mesmo com tantos problemas é bela e nunca devemos desistir pois sempre há uma saída. Por mais difícil que seja aquele problema ele valerá a pena, porque nada sem sacrifício tem valor.
 Nos enganamos quando acreditamos que existe alguém perto de você que te ama. Que se importa com você. Alguém que faça algo pra você sem que espere nada em troca. Enganados. Vivendo uma mentira em que nada se leva dessa vida. Quando morrermos nada ficará conosco. Nem nossos nomes serão os mesmos.
 Nessa ilusão, que chamamos de vida, tentamos a todo o tempo ser feliz, amar alguém, encontrar alguém que nos ame verdadeiramente. Verdadeiramente não acreditava na possibilidade disso acontecer um dia. "Só é real o que você acredita ser real.". Nessa concepção de realidade e imaginário, tentando levar a vida para um lugar que seja concreto. Buscando firmar suas pernas e deixar que suas raízes cresçam em solo saudável. E continuamos a nos enganar. Tendo que viver da história de outros pra fazer a sua. Tendo que fazer coisas que você não quer pra sobreviver e pra agradar alguém que não a si próprio. Sobreviver. Sobreviver a cada coisa de ruim que acontece. Sobreviver a cada coisa boa que acontece.
 Muitas vezes esquecendo a ilusão de se viver feliz , somente por puro medo de se arrepender. E como eu tenho medo disso. Aquela historinha de que nada é eterno. Ah, como isso me machuca. Como me faz chorar.
 Cada um tem um jeito de superar barreiras, de superar tristezas e desapontamentos. Como uma tola. Como uma sábia. O que faço pra não me machucar tanto é (por mais terrível que pareça) sofrer por antecipação. Com medo de errar. Com medo de sofrer. Medo que não ser capaz. Medo de perder o amor. O amor de alguém. O amor que nos salvou. O mesmo que me faz respirar.
 Medo de errar, de não ser boa o suficiente. De magoar "alguéns", num mundo em que todo mundo é egoísta e individualista. Preocupada em não errar, sendo que ninguém é perfeito e o mundo está uma droga. Medo de errar, sendo que só assim podemos ser melhor. Pois não é com os erros que melhoramos. E por essa aflição nunca conseguimos avançar, ser melhor. Nunca erramos. Nunca crescemos.
 Nessa "bobeira" se você errar estarão muitos prontos pra rir de você. Muitos para dizer: "Eu te avisei.", e poucos te ajudaram a começar de novo. Mas nunca vai ser fácil.

Comentários

  1. Oi, Isabella. Muito legal o texto, bastante realista. Parabéns pelo blog. Continue escrevendo e sucesso. Abração.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Mudança

Ia só copiar um antigo
Mas já pertence a um outro eu
Quem eu sou agora
Nem aquela e nem você conhecem mais
Desconstrução diária
Noite instantânea
Passam-se semanas e outro mês
A colheita de reserva ora é destino ora é consequência

Loretha Torchia

Coerência

O pé quem moveu fui eu
Foi meu
O beijo que avançou
Os km quem contou fui eu
Foi meu
O suspiro que enterrou
O convite pro Samba foi meu
Fui eu

Ora, se tudo aqui se resumi assim
Deveria me importar com quem?
De quem esperar o desfecho?
Não sendo assim seria incoerente

Loretha Torchia


metáforas para dizer Tempo

demorou o suficiente para eu notar que a luz da botoeira do elevador se apagava à medida em que ele chegava ao meu andar, e meu lixo se decompunha, apodrecia e mal-cheirava, como a velha que, no dia anterior, contava como Casca de ovo é bom pra tudo, coloco até na comida do meu neto no ponto de ônibus. No apartamento vizinho, ouvia O tempo voa decerto de alguém que também muito viveu. Naqueles vinte minutos em que esperava, estava evidente que o tempo voava na velocidade de uma bicicleta sem rodas, guinchada por um motorista cego. Enquanto ouvia o som do maquinário velho recém-reformado do elevador do prédio antigo, agora me novo, dei-me conta de que as contas que não fiz ainda seriam, como já eram antes de chegar, o desfecho da minha vida a ensinar, como a velha, O tempo não voa porque nem pernas têm! Para saber que até chegar ao aterro sanitário, meu lixo já poderia ter criado novos organismos para ser capaz de bem alimentar como de matar, quem pairava por lá tanto quanto urubus. a vida que…