Pular para o conteúdo principal

Expectativar

 E o erro nunca foi ter me apaixonado, foi ter criado expectativas.
 O erro nunca foi jogar, foi tentar ganhar.
 De jeito nenhum foi errado ouvir uma música e lembrar de você.
 O "X" da questão está em pensar em você e por isso ouvir a música.

 Imaginar que o vazio que sentia seria preenchido por você.
 Não, não de forma alguma.
 O problema foi não conseguir encher-me de mim mesma,
 Foi deixar uma lacuna. Não só no meu corpo, mas no meu coração.

 Devia ter pensado, que ao invés de amor, música e bons livros a vida teria uma coisa a mais. Algo que me faria imaginar, sonhar, planejar... "expectativar". Que essa droga de vida, traria consigo a consciência, porque não basta somente a emoção. Racionais, emotivos, sociais e algumas vezes mais intelectuais que a maioria. E que muitas vezes, por essa intelectualidade deixariam encostado a pessoa a quem se diz: "eu te amo, você é a minha vida!".
 Vai ver que no final é tudo igual. Expectativas só servem para serem frustradas. Sonhos para criá-las. Tudo para manter-se preso a uma realidade, na qual todos, TODOS, só querem fugir e arrumam as mais variadas válvulas de escape. Onde ninguém é preso à ninguém, a qualquer hora pode-se alçar voo.

É onde alguns choram e questionam-se: "Onde foi que eu errei?".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mudança

Ia só copiar um antigo Mas já pertence a um outro eu Quem eu sou agora Nem aquela e nem você conhecem mais Desconstrução diária Noite instantânea Passam-se semanas e outro mês A colheita de reserva ora é destino ora é consequência Loretha Torchia

metáforas para dizer Tempo

demorou o suficiente para eu notar que a luz da botoeira do elevador se apagava à medida em que ele chegava ao meu andar, e meu lixo se decompunha, apodrecia e mal-cheirava, como a velha que, no dia anterior, contava como Casca de ovo é bom pra tudo, coloco até na comida do meu neto no ponto de ônibus. No apartamento vizinho, ouvia O tempo voa decerto de alguém que também muito viveu. Naqueles vinte minutos em que esperava, estava evidente que o tempo voava na velocidade de uma bicicleta sem rodas, guinchada por um motorista cego. Enquanto ouvia o som do maquinário velho recém-reformado do elevador do prédio antigo, agora me novo, dei-me conta de que as contas que não fiz ainda seriam, como já eram antes de chegar, o desfecho da minha vida a ensinar, como a velha, O tempo não voa porque nem pernas têm! Para saber que até chegar ao aterro sanitário, meu lixo já poderia ter criado novos organismos para ser capaz de bem alimentar como de matar, quem pairava por lá tanto qua

sob as luzes que tentam apagar a lua

aqui da sacada do apartamento por hora meu vejo a lua e ouço os sons indevidos da rua. um cachorro late ao fundo um grilo ou os cabos de tensão dos postes aqui na frente chiam parecido. vejo a sombra do meu gato que vê em mim tristeza ou encontro com quem sou. agora uma luz menor que a lua brilha abaixo dela chamo de estrela sabendo que possivelmente erro por ser um planeta cujo nome humano desconheço. faço coisas que não esperava e não queria escondo por vergonha e continuo por teimosia vício quem sabe. é difícil demais explicar pro bicho que triste não espero morrer, mas a conversa com Ela vem vez e outra. acabei de lavar o rosto com água apenas e banho eu tomo logo, mas minhas sobrancelhas ainda estão molhadas. estou com quem desejo e sei do colo que quero agora a um oceano distante. anseio o choro que sempre veio e momentaneamente se ausenta porque me ocupo de mim. isali 05/07/2020