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Fones da vida

Displicência na busca de uma vida justa. 
Ausência no requerimento de direitos. Mas não somente direitos como o de ter casa, comida, e saúde. Ter o direito de requerer qualquer direito, nem que esse seja o direito de amar.
Amar. Independente da cor. Do sexo. Amar, sem cogitar a possibilidade de acabar.
Não sei se é possível que alguém nos pertença.
Não sei se é possível perder alguém.
Sei que não consegui guardar meu coração só pra mim.
Busquei a felicidade, a liberdade.
Talvez tenha encontrado-as, porém posso ter me sucumbido.
Me ensurdeci. Me afoguei. Me ceguei e até me dopei.
Nunca deixei de procurar, mas acredito que encontrei.
Certeza. Essa eu tenho certeza que não pertence a mim, sonhei que era feliz e continuo dormindo.
Fiz questão de estar só, para que ninguém me desperte do tempo feliz em que adormeço.
Sinto tudo o que acontece, nada impede de que eu também me chateei.
Os meu fones de ouvido me privam da maldade que é sobreviver.

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