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Eu, somente


 Quem faz jornalismo é louco. Sempre soube. O que leva alguém querer, verdadeiramente, fazê-lo com eficiência, eu não sei. Não quero, e nunca fui de fazer fofocas. Várias pessoas, para as quais contei que: "Meu curso é jornalismo!", caçoaram, dizendo: “Ah, fofoqueira!”, ou até mesmo se limitam em pensar que quero ser repórter. Como se essa fosse a única coisa que existe na área jornalística. Sempre gostei de gente, de palavras! Minha área é Humanas...
 Minha ideia é ficar com o povo. Eu sou o povo. Como não tenho, e bem sei que nunca terei tanto dinheiro como essa "belezinha" da reportagem, não viajarei o mundo, ao invés de fazer faculdade.
 Não tenho certeza de nada nessa vida. Não tenho nem certeza da morte, porque às vezes pareço já ter morrido, mesmo cheia de vida. Sei que nunca me identifiquei tanto com algo. Não é pelo português, nem pela literatura ou tão somente pela escrita. Não é nem por não saber e não gostar de matemática. É por amar falar, me comunicar. E me comunicar através da escrita.
 Claro, pode ser que me arrependa, que me decepcione com o curso quando começá-lo. Porém nada tem conseguido mudar essa minha ideia. Nem os preconceitos que tenho sofrido, não ter sido aprovada no vestibular do fim do ano passado e menos ainda, tanta gente morrer sendo jornalista, como já me foi alertado. Isso foi quase um convite de uma recém-formada em direito, para que eu trocasse de curso, já que amo ler. Vê se pode? Direito mata muito mais que jornalismo, eu acho.
 Bem, se eu morrer, irei feliz. Fiz o que quis, e com muito amor.
 Àqueles que ainda acham que escolhi a profissão errada, e até para eu mesma, que tenho tido algumas crises há uns dois/três dias, pensando que poderei ser infeliz, ou que estou desperdiçando a inteligência que tenho (e que até não tenho inteligência, por não ter quisto, e nem ter tido aptidão para um curso em Biológicas ou Exatas), aqui vai: Um pouco do meu Super - Ego vem me dizendo : "Não desista!", e o trato assim, como um super-herói. É ele, e Deus, quem irão me fazer vencer!
 Isso me faz pensar que devo fazer a diferença na minha profissão, na minha família, cidade, país e, quiçá, no Mundo! Não imagino luxos, e nem um reconhecimento nacional. Sabe o que eu quero ser mesmo? Colunista semanal de um bom jornal. Escritora. É uma vida de sonhos, mas, por favor, permitam-me realizá-los.
 Não é com menosprezo, mas, sinceramente, se não for redatora formada em jornalismo, serei professora. E de português (redação, gramática e literatura), já que não existe a profissão “sonhadora”, para que eu me sinta realizada. Só assim imagino poder “deixar o mundo melhor do que encontrei”.


Obrigada,

Comentários

  1. Não mandei o link pra você pra criticar sua escolha pelo curso ou tentar convencê-la de algo. Enviei apenas porque achei lindo o amor do autor pelo jornalismo, reconheço muito disso no jeito que você fala sobre a profissão que deseja exercer. Nunca achei que quem faz jornalismo tem algo de fofoqueiro, muito pelo contrário, fofoca pra mim é algo parcial, sujo e desleal o que não tem nada em comum com a percepção que o jornalista deve imprimir em seu trabalho (que fique claro que essa é apenas minha opinião, não tenho conhecimentos aprofundados nessa área). Enviei para inspirá-la, para incentivá-la a sair do campo puramente teórico que o nosso sistema de ensino (principalmente na nossa área, humanas) acaba impondo. Apenas isso.

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  2. Eu sei, Simone. Não respondi por ter achado que você me mandou isso criticando. Fiquei felicíssima com o fato de você ter me mandado algo tão bonito. É sério. Até li o texto pra minha mãe e quero continuar acompanhando o que ele escreve. Escrevi o que escrevi, e não foi para você. Ouvi uma coisa no cursinho, ontem, que me deixou muito triste. Tive vontade de sair correndo da sala e desistir de fazer esse curso. Fiz o poema aqui em baixo... Aí vi o link que você me mandou. Ter me mandado esse blog só me deixou mais inspirada, mais feliz por ter escolhido essa profissão e com mais certeza do que eu quero, assim como escrevi no meu texto. Desculpe, dinda, se não foi o que pareceu.

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