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Abrigo


Ao sentir a delicadeza das pétalas, me delicio com o relembrar de seu toque. Gostei de você, do seu cheiro e dos seus espinhos. De suas rosas sem jardim. Como se sente, como se encontra? Numa leiteira depositei cada palavra que ganhei, até que chegue o momento em que construa meu castelo. Só por tornar-se uma fortaleza, um abrigo.



 Estar ao seu lado me faz enxergar melhor a vida. Enxergar a vida melhor. Ver que não era para ser diferente de agora. Incerto como sempre foi e real como nunca. Reescrevendo e desenhando com palavras a crescente realidade que vivemos. Agradecer, sempre, a graça de VIVER. Saber, a cada dia e cada vez mais, muitas mais palavras para apresentar - melhor que nossos poetas - a nossa vida de amor real.

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Mudança

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Loretha Torchia

Coerência

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Foi meu
O suspiro que enterrou
O convite pro Samba foi meu
Fui eu

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De quem esperar o desfecho?
Não sendo assim seria incoerente

Loretha Torchia


metáforas para dizer Tempo

demorou o suficiente para eu notar que a luz da botoeira do elevador se apagava à medida em que ele chegava ao meu andar, e meu lixo se decompunha, apodrecia e mal-cheirava, como a velha que, no dia anterior, contava como Casca de ovo é bom pra tudo, coloco até na comida do meu neto no ponto de ônibus. No apartamento vizinho, ouvia O tempo voa decerto de alguém que também muito viveu. Naqueles vinte minutos em que esperava, estava evidente que o tempo voava na velocidade de uma bicicleta sem rodas, guinchada por um motorista cego. Enquanto ouvia o som do maquinário velho recém-reformado do elevador do prédio antigo, agora me novo, dei-me conta de que as contas que não fiz ainda seriam, como já eram antes de chegar, o desfecho da minha vida a ensinar, como a velha, O tempo não voa porque nem pernas têm! Para saber que até chegar ao aterro sanitário, meu lixo já poderia ter criado novos organismos para ser capaz de bem alimentar como de matar, quem pairava por lá tanto quanto urubus. a vida que…