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Direitos civis nos presídios





Eu poderia, hoje, escrever sobre qualquer assunto: mutilação genital feminina; comédia brasileira; “bolacha ou biscoito”; ou até mesmo por que “iPhone” é chamado pela marca e não simplesmente de celular. Mas escolhi falar sobre o direito de presidiários: até onde eles possuem os mesmos que os de cidadãos “comuns”?
Tratar de um tema polêmico: união homoafetiva. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou ações que impediam o reconhecimento legal da união estável. Bom, apesar dos tantos preconceitos e desacordos acerca disso, uma aprovação que tem como pano de fundo fazer com que os casais possam vencer o ódio, e sair do sigilo.
O que não condiz com o proposto, trata-se dos direitos que os cidadãos presos têm. Alguém que matou os pais foi acusado e julgado por homicídio triplamente qualificado, poderia se casar e até constituir uma família? Já não foi mais que atestado que Suzane von Richthofen não dá primazia a laços familiares?
Pois bem, a von Richthofen, juntamente com o namorado e o irmão dele (irmãos Cravinho), mataram seu pai e sua mãe no início da madrugada de 31 de outubro de 2002. Suzane tinha 19 anos de idade e foi condenada (ela e o namorado) a 39 anos de prisão e o outro irmão Cravinho, a 38 anos e meio.
Em 30 de abril de 2013, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tomou a seguinte decisão em caráter administrativo: que Suzane devolvesse R$ 44,9 mil aos cofres públicos, referentes às pensões que ela recebeu dos pais (mesmo mortos) de 2002 a 2004, que só foi findado, pois completou 21 anos. Dessa forma o governo quis o dinheiro de volta, uma vez que foi condenada em 2006.
Hoje, com 31 anos de idade, e a 1 dia de completarem-se 12 anos do assassinato dos pais, está casada legalmente com Sandra Regina Ruiz Gomes, que foi condenada a 27 anos de prisão por sequestro e assassinato de uma criança. Sandra cujo passado é: ex-cônjuge/ cúmplice de Elize Matsunaga, que matou e esquartejou o marido, Marcos Kitano Matsunaga (dono da Yoki), em 2012.
Suzane se diz arrependida do crime e que seu maior desejo é ser mãe e se reconciliar com o irmão, Andreas Richthofen. Será mesmo? Ao que parece não é possível tal mudança de caráter e de psicológico de uma pessoa. Ainda mais de alguém que planejou o assassinato dos pais, por dinheiro.
Observa-se que tem um caráter manipulador e extremamente sagaz. De certa forma, hoje possui regalias e privilégios por estar casada e, talvez, um certo respeito das presas de Tremembé, já que a tanto tempo está presa.
Resta saber o que mais acontece lá, até porque ela já foi intitulada como “arrasa corações” no presídio. A pulga atrás da orelha cresce ao saber que Anna Carolina Jatobá é a sua melhor amiga, desse tempo de reclusão. Tudo leva a crer que não passam de mulheres - sagazes- articulando algo além de somente encontrar a felicidade após uma “conversão” e o arrependimento dos pecados.

Isabella dos Santos Lima
30 de outubro de 2014

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