Pular para o conteúdo principal

Agradecimento

Sim, essa sou eu antes de um anos de idade. Já andava e falava.
 Hoje o meu texto é de agradecimento. Agradecimento a Deus, principalmente.
 Se você já começou a ler e pensou: "esse texto será uma chatice! Não suporto qualquer coisa que envolva o divino/ divindades/ religião/ fé/ crença". Bem, talvez mesmo esse texto não seja pra você. Mas para mim é importante que eu retribua o que recebo.
 Há alguns dias conversava com minha mãe sobre dons, de maneira geral. Considero como dons/ talentos: cantar, aptidão para tocar os mais diversos instrumentos musicais, desenhar/ pintar sem ter feito aulas, ser belo... Não considero um "dom/ talento" escrever. Nunca me considerei talentosa, por sinal.
 Ainda não me considero. Escrever sempre foi condição de existência. Aprendi a escrever e não mais deixei isso para trás. Descobri a escrita e usei isso das mais variadas formas. Cedo, eu descobri que o que não conseguia dizer (verbalmente), eu poderia (e até deveria) dizer por meio da escrita.
 Por esse meio eu já fiz várias declarações de amor, vários pedidos e muitos agradecimentos. Mas também ofendi algumas (poucas) pessoas tentando me defender do que ouvi, verbalmente falando. Nunca apoiei qualquer tipo de agressão física, vi cedo que não conseguiria bater em ninguém,  e o quão cruel é apanhar. Não mato nem barata, que é o que mais me apavora na Terra. Entretanto vi que conseguiria, com certa classe, "acabar" com qualquer pessoa escrevendo tudo o que me passou pela cabeça, quando fui ofendida/ desrespeitada/ rebaixada "ao vivo e em cores".
 Se me orgulho de ter feito isso? Não. Não me orgulho nem um pouco. Escrevi coisas cujas quais consegui despejar toda minha raiva e frustração, fazendo com que a pessoa morresse de constrangimento ao me ver. Fazendo com que desejasse meu tombo. Com que desejasse que minhas notas caíssem. Fazendo com que observassem toda minha vida, para ver quando eu erraria para poder retribuir parte da ofensa. Talvez fazendo até com que desejassem minha morte. Não me orgulho, pois fui repreendida por duas das pessoas mais importantes na minha vida. Por duas das pessoas que mais me incentivaram a escrever. Duas pessoas que mais recebem minhas mais belas palavras.
 Retirei o que fiz, e ainda passei por um período de adaptação por ter o meu pedido de desculpas rejeitado. Redes sociais sendo usadas para o mal. Parei de fazer tal coisa. Me manifesto, mas de maneira nenhuma quero desabafar sobre minhas feridas no ego, ofendendo (mesmo que em troco) quem as provocou.
 Já escrevia há tempos. Textos dissertativos. Crônicas. Contos. Mini-romances. Poemas e poesias. Artigos de opinião. Cartas (...). Não há do que me gabar. Eu sempre fiz isso, afinal. Sempre escrevi muito, no sentido de quantidade. Criei palavras, meus neologismos eram muitos! Conheço muitas palavras. Sei muito sobre conjugação verbal. Mas nada disso, ACREDITE, é algo demais pra mim. Algo extraordinário. Sinto como se não tivesse sido mais que minha obrigação aprender todo o pouco que sei. E como obrigação precisar saber mais coisas, além das quais absorvi.
 Essa semana (mais especificamente dia 11 de fevereiro) foi meu aniversário. Fiz 20 anos de idade. Senti saudade do que passou e ansiedade pelo o que virá. Quarta-feira foi um dia comum. Não ansiava pelo meu aniversário. Não tive festa. Não tive casa cheia de gente. Não tive abraço de familiares e etc. Fiquei com quem muito conta pra mim. Tive aula (mais ou menos, porque não tinha professor). Mas fui à faculdade.
 Não quis esse aniversário. 2014 foi um bom ano, mas não foi o melhor da minha vida. Muitas coisas aconteceram. Me senti muito pressionada, por vários lados e motivos. Talvez tenha pensado em desistir de tudo. Talvez por meu intenso "cagaço", eu tenha continuado. Talvez por uma força de vontade inerente à mim.
 Sorri muito. Chorei muito. Brinquei. Briguei. Não xinguei. Quase nuca faço isso. Igual bebida alcoólica. Igual refrigerante. Bem menos do que corto o cabelo. Bem menos do que escrevo.
 Comecei e realizei projetos escoteiros. Mas também fiquei triste e chorei por muitas (muitas) vezes. Com tudo isso, continuei a escrever.
 Lutei muito para ser aprovada no primeiro período de Jornalismo. Lutei muito para conseguir passar na (maldit... ops! bendita!) prova prática de volante. Hoje, dia 13 de fevereiro de 2015, sexta-feira (azar?), fui aprovada. E graças à Deus! Sim! Graças à Deus que me capacitou para tal coisa.
 Conheci muitas pessoas. Pessoas que escrevem melhor, tão bom quanto, pior e muito pior que eu. Talvez eu ainda continue medíocre como sempre fui. Médias escolares "na média". Bonita "na média". Legal "na média". Inteligente "na média". Ou seja, ordinária.
 Mas confesso que me surpreendi com os muitos (MUI-TOS) elogios referentes à maravilhosa pessoa que sou. Sempre fui assim? Acredito que não. Me fiz assim. Me eduquei assim, imagino. Méritos para minha mãe que me deu uma ótima educação. Me incluiu nas finanças de casa, na organização e manutenção da mesma. Méritos para ela, que me obrigou a ler e a escrever, até mesmo quando eu queria brincar.
 Muito obrigada a todos que fazem parte da minha vida. Mais obrigada ainda a Deus que me proporcionou, sem luxo, estudar. Me alimentar (isso eu faço pra caramba!). Me vestir... Agradeço à Ele que capacitou todos à minha volta para ajudarem a formar a pessoa que tenho me tornado. Nem boa demais, nem ruim demais. E com boa índole. Isso não posso negar, com o coração maior dessa Terra. Que ama demais. Que busca demais. Que tenta demais. Que conversa demais. Que muda demais. Que chora demais. E que sempre se repete. Sempre!
 Só tenho a agradecer, porque minha vida tem sido ótima. Nada me falta, apesar de eu buscar "mais alguma coisa" em todo tempo. Tenho uma linda família, cheia de defeitos e que por vezes me irrita. Tenho uma mãe, mais companheira que qualquer outra pessoa no mundo, que mesmo com algumas chatices me entende e me quer debaixo de suas asas. Pelo ótimo homem que tenho ao meu lado, até quando essa não é a real vontade dele.
 Porque, até agora, 2015 já é o meu ano favorito. O mês do meu aniversário, continua sendo o predileto por razões não tão explícitas nem para mim. Porque minhas duas décadas me trouxeram bastantes palavras. Porque sei que Deus nunca me desamparou, mesmo eu não sendo a melhor filha que Ele tem.


Obrigada. (!)

Comentários

  1. A vida e o mundo são coisas tão frágeis e complicadas que, depois de superar a oferta de sofrimento no mundo, é bastante estúpido não se sentir grato. Tire esse negócio de mediocridade da cabeça,menina. Reconheça seus méritos. Você escreve bem. Pode, deve e irá melhorar, mas já escreve bem; isso é sim um talento. E, se teu "cagaço" te impede de desistir, conserve-o, pois ele é importante.

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigada pelos elogios! :)
    Seguirei suas dicas!

    ResponderExcluir
  3. Não tem de quê. Disponha. E muito obrigado pelos seus textos.

    PS : (as vezes acesso a net pelo notbook da Thay, e só depois lembro-me que, nos comentários, fica registrado a conta dela,rs )

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Mudança

Ia só copiar um antigo Mas já pertence a um outro eu Quem eu sou agora Nem aquela e nem você conhecem mais Desconstrução diária Noite instantânea Passam-se semanas e outro mês A colheita de reserva ora é destino ora é consequência Loretha Torchia

metáforas para dizer Tempo

demorou o suficiente para eu notar que a luz da botoeira do elevador se apagava à medida em que ele chegava ao meu andar, e meu lixo se decompunha, apodrecia e mal-cheirava, como a velha que, no dia anterior, contava como Casca de ovo é bom pra tudo, coloco até na comida do meu neto no ponto de ônibus. No apartamento vizinho, ouvia O tempo voa decerto de alguém que também muito viveu. Naqueles vinte minutos em que esperava, estava evidente que o tempo voava na velocidade de uma bicicleta sem rodas, guinchada por um motorista cego. Enquanto ouvia o som do maquinário velho recém-reformado do elevador do prédio antigo, agora me novo, dei-me conta de que as contas que não fiz ainda seriam, como já eram antes de chegar, o desfecho da minha vida a ensinar, como a velha, O tempo não voa porque nem pernas têm! Para saber que até chegar ao aterro sanitário, meu lixo já poderia ter criado novos organismos para ser capaz de bem alimentar como de matar, quem pairava por lá tanto qua

sob as luzes que tentam apagar a lua

aqui da sacada do apartamento por hora meu vejo a lua e ouço os sons indevidos da rua. um cachorro late ao fundo um grilo ou os cabos de tensão dos postes aqui na frente chiam parecido. vejo a sombra do meu gato que vê em mim tristeza ou encontro com quem sou. agora uma luz menor que a lua brilha abaixo dela chamo de estrela sabendo que possivelmente erro por ser um planeta cujo nome humano desconheço. faço coisas que não esperava e não queria escondo por vergonha e continuo por teimosia vício quem sabe. é difícil demais explicar pro bicho que triste não espero morrer, mas a conversa com Ela vem vez e outra. acabei de lavar o rosto com água apenas e banho eu tomo logo, mas minhas sobrancelhas ainda estão molhadas. estou com quem desejo e sei do colo que quero agora a um oceano distante. anseio o choro que sempre veio e momentaneamente se ausenta porque me ocupo de mim. isali 05/07/2020