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metáforas para dizer Sinceridade

protetor solar ou creme hidratante que diga ter toque pegajoso e com cheiro de água com cloro e sol (vulgo cheiro de clube). ideia que dure mais que uma pausa pro xixi. cabelos curtos que cresçam e não fiquem com cara de estrago. o que incomoda que não possa ser associado a tomar banho e caminhar, de chinelas, sobre areia ou grama serenada. bicicleta que no impulso do pedal, quando se levanta do selim, cai a corrente da coroa. objetos em bolsinha de lápis e canetas que não apontam na mesma direção. cantinho da unha para se arrancar um pedaço do dedo, como pacote de bolacha com abra aqui. word que não recupera a última atualização do documento. chute de mindinho, dói a boca do estômago. gato que mia, a noite, e não me lembre choro de criança. vento que não uive em tom de trilha sonora de filme de terror. caneca trincada que ainda é usada. cheiros que não possam ser associados ao paladar, como mentos de melancia ter gosto de xampu de melancia. preguiça de limpar os óculos e lâmpada que funciona em meia fase.

26 de julho 2016

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Mudança

Ia só copiar um antigo
Mas já pertence a um outro eu
Quem eu sou agora
Nem aquela e nem você conhecem mais
Desconstrução diária
Noite instantânea
Passam-se semanas e outro mês
A colheita de reserva ora é destino ora é consequência

Loretha Torchia

Coerência

O pé quem moveu fui eu
Foi meu
O beijo que avançou
Os km quem contou fui eu
Foi meu
O suspiro que enterrou
O convite pro Samba foi meu
Fui eu

Ora, se tudo aqui se resumi assim
Deveria me importar com quem?
De quem esperar o desfecho?
Não sendo assim seria incoerente

Loretha Torchia


metáforas para dizer Tempo

demorou o suficiente para eu notar que a luz da botoeira do elevador se apagava à medida em que ele chegava ao meu andar, e meu lixo se decompunha, apodrecia e mal-cheirava, como a velha que, no dia anterior, contava como Casca de ovo é bom pra tudo, coloco até na comida do meu neto no ponto de ônibus. No apartamento vizinho, ouvia O tempo voa decerto de alguém que também muito viveu. Naqueles vinte minutos em que esperava, estava evidente que o tempo voava na velocidade de uma bicicleta sem rodas, guinchada por um motorista cego. Enquanto ouvia o som do maquinário velho recém-reformado do elevador do prédio antigo, agora me novo, dei-me conta de que as contas que não fiz ainda seriam, como já eram antes de chegar, o desfecho da minha vida a ensinar, como a velha, O tempo não voa porque nem pernas têm! Para saber que até chegar ao aterro sanitário, meu lixo já poderia ter criado novos organismos para ser capaz de bem alimentar como de matar, quem pairava por lá tanto quanto urubus. a vida que…